Não sei se foi já o cansaço acumulado ou o stress de navegação, mas o dia hoje foi mais puxado do que imaginávamos.
Logo cedo um bom café da manhã ( nem tão cedo assim pois o café do começava às 8:30).
Prepara a tralha e 9:00h saímos rumo a uns 70 km rodados. Sei lá onde isso vai dar. Esse é nosso planejamento, simples e objetivo : vai pedalando. Quando der a distância e o cansaço pegar, para na próxima cidade.

Só que ao contrário de ontem, as trilhas e serras dominaram a viagem.




Paisagens lindíssimas, bastante gente a pé no caminho e praticamente nenhum ciclista.
Resolvemos que hoje seguiríamos as setas. Bom… Isso foi até Viana do Castelo, quando nos perdemos um pouco das setas, já que a trilha que estávamos seguindo no Wikiloc optou por passar por fora do centro.
Inconformados e um pouco cansados de trilhas, resolvemos seguir pela praia.


Mas sem as setas, fica muito chato, afinal elas fazem parte do caminho. Uns 15 km de praia e resolvemos achar as setas novamente. Só que elas estavam a uns 5 km de distância, no alto da montanha. Paciência : sem as setas não queremos ficar.
Rapidamente ( nem tanto ) voltamos ao caminho com setas, mas essa decisão contribuiu para aumentar o desgaste.
Mais uns 10 km e o caminho com setas nos leva de volta à praia. Por aí seguirmos até Âncora e de lá para Caminha, divisa com a Espanha.
Ali podemos seguir por Portugal até Valencia e entrar na Espanha por Tui, ou atravessar de barco para a Espanha e seguir pela praia. Resolvemos que seguiríamos pela praia.
Mas aí começam os perrengues.
Chegamos ao ferryboats e parece que faz muito tempo que não funciona. Pergunta daqui e dali e descobrimos que tem um barqueiro que faz essa travessia : o Miguel.
Liga pro Miguel e marcamos encontrá-lo a uns 4 km num camping. Chega no camping e cadê o Miguel ?
Dizem que está esperando uns ingleses do outro lado do rio para atravessa-los. Espera 15, 30, 45 minutos, e nada de Miguel.
Vai se ferrar Miguel caloteiro…
Resolvemos voltar e seguir viagem até o albergue são Bento, que a tempos temos acompanhado cartazes sobre ele pelo caminho.
Não bastando a raiva do Miguel, na volta o Rafa estoura um pneu ao subir na calçada… Mocorongo, não levanta a bunda do acento e com o peso do alforge não deu outra….
Desmonta pneu, monta pneu e ao encher a câmera…pum!!!. Estoura mais uma vez. Ou defeito da câmera ou não percebi que o pneu mordeu a câmera ou é praga do Miguel…fdp.
Xingando, recomeço e concluo o serviço. Tanta raiva nem me deixou fotografar esse belo momento. Seguimos.
Chegamos no albergue e somos encantadoramente recebidos por Cândida, uma senhora muito gentil e falante que parece que já fez todo caminho português. Explica tudo nos detalhes e dá muita sugestão para seguirmos.
Obrigado Cândida… Valeu por erguer nosso moral…
Tudo acertado e, por indicação de Cândida, fomos ver o por do sol, lindíssimo.


Daí para o jantar (o Rafa reclamando que estava com fome… Pode ?!!). No restaurante pedimos uma feijoada português e bacalhau, uma jarra de vinho, coca, água e muito pãozinho com azeite. Uma delícia, que o Luiz, dono do restaurante e ciclista, nos serviu.
Ao final, por conta da casa e do papo, ainda nos serviu um doce muito gostoso, que não lembro o nome.
Valor da conta : 18 euros… O mesmo que um menu peregrino.
Voltamos para o albergue, onde estamos só nós hoje, e fomos dormir. Nem escrever o blog aguentei. Capotei. Acordei cedo e aqui está o resultado.
Parece que na quinta começa a chover. Temos que aproveitar hoje para rodar. Acho que iremos mesmo por Tui.
Bom caminho para nós.